A OCDE estima que a frequência de formação entre trabalhadores mais velhos em Portugal é 50% a 60% inferior à população total. O dado, no Survey Económico de Portugal 2026, merece atenção, mas não permite concluir que pessoas mais velhas não queiram aprender.
O próprio relatório aponta para barreiras como falta de apoio dos empregadores, horários incompatíveis e oferta pouco ajustada. Antes de falar em motivação, uma empresa pode perguntar: quem não consegue participar durante o turno? Quem precisa de substituição para sair do posto? Que conteúdo está ligado a uma tarefa real? Que formato permite praticar sem humilhar quem está a começar?
As respostas podem revelar uma mudança simples: reservar horário, envolver a chefia, usar módulos curtos e ligar a aprendizagem a uma tarefa concreta. Medir presença e aplicação separadamente também ajuda. A equipa não precisa de transformar idade numa etiqueta. Precisa de remover obstáculos e verificar se a competência melhorou no contexto em que será usada.
Uma pergunta adicional ajuda a liderança: a formação ocorre no horário pago e existe substituição no posto? Se a resposta for não, a organização está a pedir ao trabalhador que resolva sozinho um obstáculo que ela própria criou. A pessoa pode escolher um formato diferente, pedir demonstração ou praticar por etapas. A competência deve ser avaliada pelo que consegue fazer, não por uma suposição baseada na idade.
Lucas Atanazio Vetorasso, O Maestro, é empresário e fundador da ATNZO. Escreve sobre gestão, negociação e inteligência resolutiva.
