Todo ano abrem muitos pequenos negócios com a mesma promessa implícita: se der certo, abre outro. A lanchonete que lota no domingo, a padaria com fila na porta, a assistência técnica que não dá conta da demanda. A segunda unidade parece o passo natural. Muitas vezes é justamente o passo que expõe tudo o que a primeira escondia.
É nesse ponto que Lucas Atanazio Vetorasso, empresário, escritor e fundador da ATNZO, escritório internacional dedicado à criação, formatação e expansão de franquias com base em Portugal, coloca uma das teses da sua agenda pública: "Portugal precisa de medir a replicabilidade antes de celebrar a escala." A frase, escrita pensando no mercado português, vale do mesmo jeito para o Brasil. Está no press kit dele, ao lado de outra que a completa: "A inauguração é o começo da auditoria, não a prova do sucesso."
O que é, afinal, um negócio replicável
Replicável não é sinônimo de grande nem de famoso. Um negócio replicável é aquele cujo funcionamento pode ser explicado, ensinado e conferido sem a presença constante de quem o criou. Na prática, isso obriga a responder perguntas pouco glamourosas. Como se abre e se fecha o dia? Como se escolhe e se treina a pessoa nova? Quanto custa, de verdade, cada venda? O que acontece quando o fornecedor falha ou o cliente reclama? Onde está escrito o padrão?
O press kit de Atanazio propõe essa conversa a empresas e associações com uma pergunta direta: o que precisa mudar na organização antes de abrir uma nova unidade ou entrar em outro mercado? A resposta raramente está no marketing. Está nos processos, no treinamento e na margem, justamente as partes do negócio que o cliente não vê.
A franquia é a forma mais conhecida de replicação, mas não a única. Dá para replicar com unidades próprias, licenciamento, cooperativas ou redes de parceiros. O que todas têm em comum é a exigência de transformar experiência em conhecimento transferível, um dos eixos de trabalho descritos no press kit do empresário. Em 2023, num texto chamado "Começo meu próprio negócio ou abro uma franquia?", Atanazio já tratava a escolha como decisão de método, e não de moda.
Crescer ou inchar
A distinção que o empresário faz entre crescimento e inchaço ajuda a entender por que tantas expansões dão errado. "É importante saber a diferença de empresas crescendo e empresas inchando", escreveu num de seus artigos de 2023. Uma empresa que abre três unidades sem ter escrito como funciona a primeira não triplicou o negócio; triplicou a dependência do dono, que passa a correr de loja em loja apagando incêndio.
Nos negócios replicáveis, a expansão acontece no ritmo da capacidade de ensinar. Cada unidade nova só abre quando existe alguém treinado para tocá-la e um padrão que permita saber, à distância, se as coisas estão indo bem.
Uma porta de entrada para os mais jovens
O assunto ganha outra dimensão quando se olha para o emprego jovem. Entre os ângulos que o press kit propõe para juventude e formação está a pergunta: que competências ajudam um jovem a decidir, negociar e transformar uma ideia num projeto viável?
Um modelo replicável responde parte dessa pergunta de forma bem concreta. Para o jovem que quer empreender, operar um modelo já testado reduz o risco de começar do zero, oferece treinamento estruturado e ensina, na prática, o que é gerir gente, estoque e margem. Não substitui a criatividade; dá uma base para ela. Muitos empresários fazem esse caminho: primeiro aprendem a operar bem o modelo de outra pessoa, depois entendem por que ele funciona e só então criam o seu.
Atanazio resume a seriedade da decisão numa das 15 teses publicadas no seu dossiê de pautas: "Empreender não é abrir uma empresa; é colocar o capital da vida numa decisão que não aceita teatro." Para quem começa com a poupança da família, a diferença entre um negócio escrito e um negócio improvisado é a diferença entre risco calculado e aposta.
Do negócio ao território
A replicabilidade também tem leitura municipal. Uma cidade que consegue gerar negócios documentados, com formação associada, cria empresários locais em vez de apenas receber lojas de fora. É esse o raciocínio da proposta de bases territoriais para pequenas empresas, negócios replicáveis e emprego jovem que o ecossistema ATNZO / O Maestro: 2030 vem estruturando para municípios portugueses, no contexto dos fundos do Portugal 2030.
Uma das teses de Atanazio lembra que o impacto de um negócio vai além do faturamento: "Uma loja pode vender hambúrgueres; ou pode devolver um ponto de encontro a uma cidade." Replicar bem é garantir que a segunda, a terceira e a décima unidade mantenham esse papel, e não só o logotipo.
A pergunta antes da fita
Para empresários, investidores e gestores públicos, a lição é a mesma. Antes de cortar a fita da nova unidade, vale perguntar se alguém que nunca conheceu o fundador conseguiria abri-la amanhã e mantê-la aberta daqui a um ano. Se a resposta for sim, existe um modelo. Se for não, existe só uma boa história, e boa história não se replica sozinha.
O press kit público de Lucas Atanazio Vetorasso reúne biografias, fotos e os temas disponíveis para entrevistas e palestras.
